“Para o administrador delegado da TAP, falta uma justificação capaz de convencer a localização do projecto “longe da sua cidade principal”.
As reservas de Fernando Pinto prendem-se não só com a falta de estudos sobre aquela infra-estrutura mas também com a distância da Ota à capital portuguesa, embora não questione a necessidade de um novo aeroporto, de acordo com o ‘DN’.
Esta posição crítica surge poucos dias depois de o ministro dos Transportes, Mário Lino, ter reafirmado a vontade do Governo de avançar com o projecto e na fase final dos “procedimento administrativos” para a renovação do contrato de Fernando Pinto à frente da transportadora aérea, de acordo com fonte oficial.
Mas quanto à localização, Fernando Pinto, que é também membro da Associação de Transportadoras Aéreas, diz taxativamente nunca ter visto “um estudo a justificar a Ota”.
As dúvidas do administrador delegado da TAP, o maior operador do Aeroporto da Portela, surgem depois de críticas de outros operadores, como os agentes de viagens e os hoteleiros. Estes sectores ligados ao turismo consideram que os 50 quilómetros entre Lisboa e a Ota (a maior entre os aeroportos que servem as principais capitais europeias) irá retirar competitividade a Lisboa. Como alternativa, têm defendido a utilização das bases aéreas na região de Lisboa, como a do Montijo ou Alverca.
Em termos políticos, a questão tem também merecido críticas, até de membros do PS como António Vitorino. A demonstrar que se trata de um debate por vezes deixado ao sabor dos ventos está a posição de Carmona Rodrigues na Assembleia da República em Março de 2004: “Ciente da importância do projecto”, Carmona, que era ministro das Obras Públicas, garantiu que nem o projecto nem a localização estavam em causa.”
notícia no Correio da Manhã (25/07/2005)
